Avistei-o de longe e logo reparei que
os meus cabelos louros e grandes olhos azuis já tinham chamado a sua atenção.
Sentia-me de novo com quinze anos a viver os namoriscos despreocupados da
altura. O seu peito musculado, marcado por um bronzeado dourado que quase que
fazia refletir o sol captou os meus olhos. Eu estava deitada nas
espreguiçadeiras junto á piscina, com um fato de banho preto, sem alças, e um
laço em tons de azul que unia uma ponta á outra nas costas. Reparei que como eu
o seu olhar estava pousado em mim, um olhar sedutor e o seu cabelo moreno ao
vento eram bastante convidativos. Aproximou-se e o meu coração batia.
‘Posso-me sentar?’ – Perguntou.
‘Que resposta óbvia!’ pensei enquanto
respondia que sim.
Assim que aceitei a conversa
desenrolou-se e as palavras fluíam. Ele era um jovem alto e atraente. Devia de
estar na casa dos trinta e eu tinha os meus, pouco vividos, vinte e cinco anos,
altura em que me aventurei e decidi conhecer mais que a minha pequena ‘aldeia’,
mais que o meu pequeno mundo.
Visitamos a bela cidade do Porto,
primeira paragem e também a primeira troca de olhares, daqueles que deixam algo
a desejar. Passeamos juntos, tomamos café, conversamos. ‘Que bela cidade’
disse, ‘quem diria que seria também tão propícia ao amor’, pensei.
Entre sorrisos e gargalhadas fiquei a
conhecer um pouco mais sobre esta figura atraente, que à cerca de cinco anos
tinha emigrado para França em busca de emprego, e lá se estabeleceu durante
três anos. Falava francês fluentemente, e a sua cultura era incrível! Tinha decidido voltar, quem sabe para se apaixonar e constituir família, mas também para estar perto dos seus.
Falamos durante horas a fio e o longo passeio passou a voar. Quando voltamos a embarcar ele sussurrou ao meu ouvido o número do quarto em que estava hospedado. 'Quarto 112', como me lembro da forma como proferia as palavras, juntando na mesma frase um toque sério, animado e sedutor.
Esperei alguma horas até pegar no telefone do quarto e pedir ligação para a quarto de Jorge.
'Bip, bip, bip, estou sim?' - Ouvia a sua voz abafada do outro lado da linha.
'Sou eu, a Margarida ...' - Respondi.
Esperei alguma horas até pegar no telefone do quarto e pedir ligação para a quarto de Jorge.
'Bip, bip, bip, estou sim?' - Ouvia a sua voz abafada do outro lado da linha.
'Sou eu, a Margarida ...' - Respondi.
