segunda-feira, 30 de novembro de 2015

30.11.2015

A vida dá tantas voltas que chega a meio e as únicas perguntas que persistem em ecoar na tua mente são: como é que aqui cheguei? Como é que nós aqui chegamos? O que nos aconteceu?...
O calor já de fim de verão agarrou a nossa paixão e transformou-a num domingo acolhedor, onde por mais frio que esteja lá fora o teu corpo embala o meu com a melodia da chuva que bate na portada do teu quarto, e, sem sequer me questionar, está quente aqui.
A televisão está muda, a tua respiração é mais bonita. Eu amo-te tanto que não se explica, tu por mais que me ames não te explicas. E uma das voltas mais necessárias na vida é mesmo esta, a explicação.
Por mais que saiba preciso de mais, sou carente – confesso, mas sem aquilo que existe para lá do amor chegará o dia em que vou ligar a televisão, desta vez com o som no máximo, para ignorar a dúvida, para ignorar o teu corpo frio, em vez de quente, que se deita do meu lado sem expressão.

Eu quando precisei de mais tu não mo soubeste dar, agora sou eu quem não tem mais nada para dar.

domingo, 20 de abril de 2014

O meu coração começou a palpitar tão ferozmente que a respiração numa tentativa remota de o acompanhar, acelerou também. Nesse momento os meus olhos transformaram-se em lágrimas e a minha boca soluçou.

‘Que dramática’, pensei eu. Este é somente o peso do amor, o peso de quem cuida á espera de ser cuidado também. Este é o peso da fé, mas de uma fé que nem sempre é correspondida, de um amor que nem sempre é mutou (ou se é, não é demonstrado). Este é o peso da dedicação, é o peso da horrível espera. Da espera em que retribuam. Da espera em que cuidem de ti também.

domingo, 6 de abril de 2014

Luz

Um choque será exactamente só isso. Será somente um choque, um grande impacto em tal momento, e, tal como em todos os grandes impactes, vai deixar marca, mas é só um choque e os choques passam.
Vais viver todo um drama, vais chorar toda uma noite, vais comer todo o chocolate, vais rir de nervos e a cima de tudo vais sentir-te perdida. Eu própria estou perdida. Estou perdida no meio de tanta luz que me quer encontrar, e com tanto medo de encandear os meus olhos acabo por preferir ficar perdida.
Tenho todo um caminho pela frente, tantos choques ainda por sofrer, mas a força do último é tão grande e tão violenta que retrai o meu corpo e impulsiona-o para trás. Eu bem tento caminhar e enfrentar todo o percurso que me espera, e uma vez ou outra já tentei deitar a mão a uma ou outra luz, mas o medo de não saber mais nada para além de estar perdida foi tão grande que preferi ficar aqui, sozinha, naquela zona à qual já chamo de conforto.
Estanho não é? Numa mente ingénua o conforto é isso mesmo, um ninho de carinho, empatia e felicidade. Mas na minha mente é isto mesmo, estar perdida e ter medo de um dia não estar e não saber como agir.
Foram tantas as preocupação, foram tantas as tristezas que no final das contas apercebemos-nos que os choques, que os impactos, aqueles que pensávamos que deixavam marcas mas que saravam... Afinal não saram. Mas nunca te acanhes, nunca percas a esperança, e muito mais importante que tudo: nunca deixes que nenhuma luz se apague. Luz esta que é a tua fé e o teu foco, é também o teu caminho e só esta irá conduzir-te à salvação. Podes até nem lhe tocar, mas por muito mais perdida que estejas, a luz perder-se-à sempre ao teu lado, e nunca deixará de estar à tua disposição, e nunca deixará de te ajudar.
Por isso prepara-te, por isso encontra-te, por isso ergue-te.

quarta-feira, 26 de março de 2014

18.19.23.00

A dúvida acabará por se resumir sempre à mesma: insistir ou desistir?
Quando nos começamos a cansar da vida, quando o coração aperta tanto que torna-se difícil respirar, quando o sorriso é o mais falso, quando os olhos por mais que tentem sorrir também só têm vontade de chorar, a resposta ideal seria simplesmente desistir.
Mas será mesmo assim? Será fácil o suficiente virar as costas a quem dedicas-te alguns dos melhores momentos da tua vida? Será demasiado difícil andar para a frente e tentar ser feliz? É verdade que muitas vezes o medo consome-nos, atormenta o nosso sono, pontapeteia o nosso sorriso, dá-nos socos no estômago e cava o nosso próprio buraco no chão. Mas, é nessa altura que a cabeça tem que ser erguida e, por mais difícil que seja, é altura de dar uma resposta à questão. Ir ou ficar, insistir ou desistir? 
A partir do momento em que doí o suposto é atacar o problema pela raiz, colocá-lo o mais longe da nossa vida e fazer de tudo por voltar a sorrir. Mas por mais fácil que seja escrever umas quantas asneiras, falar em voltar a sorrir e ser feliz, o assunto é cada vez mais complexo, e um dia passa a um mês, e um mês passa a dois anos, e a duvida cresce. Juntamente à duvida vem a consequência e simultaneamente esta gera mais uma pergunta:
Se eu escolher amar, vais amar-me de volta, ou este sentimento vai simplesmente permanecer até eu já não conseguir respirar?

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Irei amar-te eternamente, Avô

   Está um conjunto de pessoas reunido em frente à casa mortuária. A noticia foi recebida à relativamente pouco tempo, mas como se diz as más correm sempre depressa.
   Estou mais afastado a um canto, não sinto o vento, não oiço o murmurar, não sinto as lágrimas que me correm pelo rosto... Será que existem?
   Naturalmente este é o momento que todos receamos, aquele de que nos tentamos afastar o máximo possível, mas aquele que é o mais certo desde o momento que vimos ao mundo.
   Observo um conjunto de pessoas mais à minha frente e no meio de todas aquelas palavras mal proferidas, ou muito provavelmente proferidas na perfeição e o problema sou realmente eu, que não oiço, que já nem sinto, que já nem falo, revela-se o único conjunto de palavras ao qual estou apto de ouvir:
 '- Mas e então tudo bem?'
   Continuo em frente à casa mortuária ou terei finalmente acordado do pesadelo? É que enquanto eu me encontro aqui a velar o corpo de uma das pessoas que me eram mais importantes um grupo de pessoas interrogasse, para além das banalidades, de como está o tempo, de como está o mundo e de como eles próprios estão. Eu não estou bem, e penso que se alguém estivesse o local onde estariam reunidos não seria este com toda a certeza.
   Será educação, será egoísmo ou somente ironia? 
   Sinceramente só me restará a duvida, e quando à pouco pensava que este momento era o mais certo em toda a nossa vida, agora reflito e chego à conclusão que é também o que mais gera incógnita.
   Não o queria dizer ou sequer pensar, com um medo exorbitante de que se tornasse real, ou pelo menos mais ainda, mas acabo por deitar cá para fora:
    - Ainda agora foste e já sinto a tua falta. 
       Irei amar-te eternamente, Avô. - E ai chorei, e senti realmente o choro. Todo o mundo desabou. Realmente tinha razão, tornou-se real, e completamente irreversível.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Humildade, palavra de ordem

Há um dia em que tudo muda, a flor murcha para que outra possa florescer, o sol dá lugar à chuva, a primavera dá lugar ao verão, o verão ao outono, o outono ao inverno e por ai adiante. O que eu quero dizer é que a vida não para. Certamente hoje alguém morrerá, mas alguém irá nascer também. Um divorcio será assinado mas uma cerimonia de casamento estará a ser celebrada. Quando menos esperamos tropeçámos, mas quando menos esperarmos iremos dar também um grande passo em frente em busca do nosso sonho. 
Ninguém sabe ao certo quantas vezes irás ser deixado pendurado, quantas vezes o gelado cairá redondamente no chão, redondamente na blusa ou redondamente na boca, na tua e do teu amor, um gelado partilhado? Sim, quem sabe.
O que eu quero dizer é que hoje a tua cabeça está em baixo, o teu sorriso desapareceu e o teu coração está tão despedaçado que dificilmente saberás qual será o pedaço inicial desse enorme puzzle, mas ninguém saberá se amanha uma mão será esticada na tua direcção. 
Lembra-te, nenhum pedido de socorro é enviado em vão, mas nenhuma acção arrogante será recompensada. 
Humildade, palavra de ordem.

'Seja humilde, pois, até o sol com toda a sua grandeza se põe e deixa a lua brilhar.'
Bob Marley

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Junho, 15

-Olha para trás. O que vês?
Parece apenas um círculo onde todos andamos ás voltas e mais voltas para encontrarmos um rumo, um sentido, e nos esquecemos que é somente mais um círculo dentro de tantos outros e que por mais que tentemos nunca conseguiremos encontrar um canto para nos acomodarmos. Porque é somente mais um círculo.
O círculo da vida, o círculo da existência. 
Por mais voltas que dês não deixara de ser um círculo e quando quiseres alterar a tua jornada a única coisa que te restará será apenas uma lima para tentares limar os lados. Mas não te esqueças, o que és e o que foste foi construído à volta desse mesmo círculo, queres alterar totalmente aquilo que te criou, ou apenas radicalizar o conceito de círculo para algo melhor?