segunda-feira, 22 de julho de 2013

Acima de tudo, o amor

Ainda que eu falasse línguas,
as dos homens e dos anjos,
se não tivesse amor,
seria como sino ruidoso
ou como címbalo estridente.

Ainda que tivesse o dom
da profecia,
o conhecimento de todos
os mistérios e de toda a ciência;
ainda que tivesse toda a fé,
a ponto de transportar montanhas,
se não tivesse amor, nada seria.

Ainda que eu distribuísse
todos os meus bens aos famintos,
ainda que entregasse
o meu corpo às chamas,
se não tivesse amor,
nada disso me adiantaria.
134 O amor é paciente,
o amor é prestativo;
não é invejoso, não se ostenta,
não se incha de orgulho.

Nada faz de inconveniente,
não procura o seu próprio interesse, não se
irrita, não guarda rancor.

Não se alegra com a injustiça,
mas regozija-se com a verdade.

Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais passará.
As profecias desaparecerão,
as línguas cessarão,
a ciência também desaparecerá.

Pois o nosso conhecimento
é limitado;
limitada é também a nossa profecia.

Mas, quando vier a perfeição,
desaparecerá o que é limitado.

Quando eu era criança,
falava como criança,
pensava como criança,
raciocinava como criança.
Depois que me tornei adulto,
deixei o que era próprio de criança.

Agora vemos como em
espelho
e de maneira confusa;
mas depois veremos face a face.
Agora o meu conhecimento
é limitado,
mas depois conhecerei
como sou conhecido.

Agora, portanto,
permanecem estas três coisas:
a fé, a esperança e o amor.

A maior delas, porém, é o amor.


Epístola de São Paulo aos Coríntios

domingo, 21 de julho de 2013

Desejo vs Medo

         O desejo. O desejo da felicidade, do amor, do sucesso e da felicidade novamente porque é a mais abrangente. Eu desejo tudo isso e tudo mais e tu desejas igualmente porque é o natural do ser humano. Um dia eu escrevi assim: Nascemos num berço de vime, já pensando em possuir uma cama de ouro e acabamos por morar na casa da maldade, denominada por sociedade. Levamos diariamente connosco o desejo de felicidade e, espantosamente, é nos oferecida a inveja e crueldade deixando presente a duvida, direccionada não só ao próprio ser como também a Deus e à nossa fé, se o que nos rodeia será o problema social existente ou a cruz a que somos obrigados a carregar.  Problematicamente reflicto sobre o meu próximo e penso se serei eu que estou rodeada de bichos ou é apenas uma máscara pública vincada e bem delineada, resultante, de má vontade e uma enorme e séria falta de vivacidade e, quem sabe, amabilidade. Sinto-me então obrigada a chegar a uma conclusão que me coloca na posição de preferência aos animais.
           Hoje, alguns meses depois, eu penso igualmente mas de forma diferente. Se é que me faço entender...
          Prefiro os animais e sinceramente nem sempre gosto das pessoas, mas entendo o porque da existência de uma máscara pública, e a resposta é o Medo, a Insegurança. Porque para alem do desejo o ser humano foi construído sobre várias bases. Medo de falhar. Medo de ficar sozinho. Confiança. Desconfiança. Insegurança. Sorrisos. Gargalhadas. Carinho. E medo outra vez, mais que não seja de perder o sorriso, não dar uma gargalhada, não sentir carinho, não ter confiança, ser demasiado bom e não desconfiar, medo de ser. Arriscai, pois ninguém te tirará o que és, o que escolheres, o que fizeres e o que fores. Se falhares e sentires medo, pensa que o mundo não vai acabar. Se falhares e chorares, mostra só que és mais um lutador. 

         Vive a pensar no amanhã mas nunca sem esquecer o presente, e um dia quando te sussurrarem ao ouvido o quanto querem um abraço seguro dá esse abraço, nunca te esquecendo quando foste tu a pedi-lo, nunca te esquecendo quando tentavas vencer o medo com o desejo desse tal abraço...

sábado, 20 de julho de 2013

E se... ?

        Porque é que me mentias? Porque é que não cuidavas de mim como devias?
        Tantas perguntas e tão poucas respostas... Eu entreguei-te todo o meu amor e tu, que dizias amar-me também, apunhalaste-me pelas costas. Então e os planos, então e o sucesso, e os anos que íamos esperar para ficarmos juntos? Onde ficou tudo isso? Enrolado em mais uma mortalha enquanto de tentavas conformar que era eu que estava diferente?
        Eu amei-te de verdade, eu tinha quatorze anos e já te amava, eu tive quinze anos e amei-te e agora tenho dezasseis e odeio continuar a sentir a tua falta. Não acredites em quem te diz que aos quatorze não sabes o que é amar, nem aos quinze ou até mesmo aos dezassete, porque o amor não se esconde atrás de um número, ele floresce entre palavras e atitudes, entre carinhos e lembranças. Tantas memórias que enchem o meu peito, mas o que fazer quando tudo não passa de lembranças sem retorno?
        A melancolia assombra-me durante a noite, será culpa minha, ou tua, ou simplesmente foi nossa? De cabeça cheia mas de copo vazio lavo a cara, e desejo puder também mudar o passado, alterar o presente e intitular o futuro com um letreiro enorme onde se pode ler 'E Viveram Felizes Para Sempre'. 
       Mas em vez disso o copo vazio passa a cheio, e agora igualado com a minha cabeça sussurra-me estranhas e soltas palavras. 
       'O que és, o que foste, o que serás'. 
       Afinal até fazem algum sentido. Ficaram tantas feridas por sarar, e eu sou, ou pelo menos tento ser, a pomada para as sarar. Ficaram tantos 'eu amo-te' por dizer, mas isso é somente o que eu fui, uma simples rapariga de olhar inocente que se deixou embebedar pelas tuas palavras. Que engraçado escrever para ti como se lesses, que engraçado falar em bebida que não faço mais senão isso. Que saudades de esquecer, será que devo? Ficaram tantas frases por acabar,e tenho a certeza que será isso que irei ser: as respostas!
      Mas de que irei valei, do que é que a solução irá valer, se no final da noite o copo volta a vazio juntamente com a garrafa e aquilo que era solução passou novamente a problema que me assombra de duvidas... O que aconteceu ao 'para sempre'? O que aconteceu a todas as palavras que disses-te? O que aconteceu e o que acontecerá? E se..., e se...?
      Sento-me na cama e questiono a minha sanidade, será que o problema já tem solução ou  é somente a embriaguez a falar?
      Num momento de clareza eu proclamo: se o futuro está nas minhas mãos e se a vida é nada mais do que aquilo que eu fizer dela, eu digo-te que farei dela um dia feliz, todos os dias até ao fim. Sem ti, porque é assim que estou melhor. Mas ai o nivel de amor no meu sangue cresce, ele corre cada vez mais depressa nas minhas veias e a grande duvida nasce: Será? Porque tudo aquilo que eu quero é ser feliz, contigo ao meu lado.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

3º viagem

      'Margarida! Que feliz por ouvir a sua voz'
      Escorreu-me uma gota de suor, não que estivesse um calor abrasador lá fora, mas porque o meu corpo irradiava paixão. Era o calor da paixão, e talvez o medo das respostas.
      A conversa desenrolou e Jorge convidou-me para jantar, palavras simples mas cheias de cavalheirismo que deixaram a minha cabeça numa revolução. 'O que irei vestir? O que devo calçar? Cabelo apanhado ou solto? Maquilhagem?' Apenas queria estar no meu melhor, sentir que quando Jorge olhasse para mim os seus olhos brilhassem, me achasse bonita e tudo aquilo que ele desejava. O sonho de qualquer mulher, e o meu também.
      Sentir que pertenço a algo e que sou a peça do puzzle que faltava é algo que já não sentia à muito, e foi isso mesmo que me fez fugir da minha pequena 'aldeia', que de aldeia não têm nada para os que me rodeavam mas que na minha cabeça é apenas um grão de areia em todo o mundo. Precisava de criar novos horizontes, conhecer novos lugares e criar novos sonhos, novas metas. E cá estou eu... A irradiar paixão, a sonhar novamente!
      Com um vestido por cima do joelho preto, com ornamentos dourados na única alça existente e o cabelo solto entrei num andar elegante, ajudado pelas sandálias altas dos mesmos tons dourados, no bar antes da sala de jantar. Senti de imediato o olhar de Jorge e de mais uns senhores por quem se fazia acompanhar pousarem e mim. O meu olhar jovem e inocente escondia a timidez que sentia e o medo. O medo de ser apenas uma brincadeira, de não saber tomar partido disso e ser eu a brincar. O medo de me magoar. Talvez os meus vinte e cinco anos não sejam assim tão pouco vividos, mas eu coloco o medo atrás das costas e dou mais um passo. Olho nos seus olhos e confiante digo:
       'Olá Jorge'
       'Margarida, boa noite. Estás linda!' Disse sorrindo.
       'Obrigada' Sorri timida...