'Margarida! Que feliz por ouvir a sua voz'
Escorreu-me uma gota de suor, não que estivesse um calor abrasador lá fora, mas porque o meu corpo irradiava paixão. Era o calor da paixão, e talvez o medo das respostas.
A conversa desenrolou e Jorge convidou-me para jantar, palavras simples mas cheias de cavalheirismo que deixaram a minha cabeça numa revolução. 'O que irei vestir? O que devo calçar? Cabelo apanhado ou solto? Maquilhagem?' Apenas queria estar no meu melhor, sentir que quando Jorge olhasse para mim os seus olhos brilhassem, me achasse bonita e tudo aquilo que ele desejava. O sonho de qualquer mulher, e o meu também.
Sentir que pertenço a algo e que sou a peça do puzzle que faltava é algo que já não sentia à muito, e foi isso mesmo que me fez fugir da minha pequena 'aldeia', que de aldeia não têm nada para os que me rodeavam mas que na minha cabeça é apenas um grão de areia em todo o mundo. Precisava de criar novos horizontes, conhecer novos lugares e criar novos sonhos, novas metas. E cá estou eu... A irradiar paixão, a sonhar novamente!
Com um vestido por cima do joelho preto, com ornamentos dourados na única alça existente e o cabelo solto entrei num andar elegante, ajudado pelas sandálias altas dos mesmos tons dourados, no bar antes da sala de jantar. Senti de imediato o olhar de Jorge e de mais uns senhores por quem se fazia acompanhar pousarem e mim. O meu olhar jovem e inocente escondia a timidez que sentia e o medo. O medo de ser apenas uma brincadeira, de não saber tomar partido disso e ser eu a brincar. O medo de me magoar. Talvez os meus vinte e cinco anos não sejam assim tão pouco vividos, mas eu coloco o medo atrás das costas e dou mais um passo. Olho nos seus olhos e confiante digo:
'Olá Jorge'
'Margarida, boa noite. Estás linda!' Disse sorrindo.
'Obrigada' Sorri timida...
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