quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Running away

         Quantas vezes pensas-te em fugir? Quantas vezes agarras-te numa mala e começas-te a colocar roupa à toa? Quantas vezes com a chave de casa na mão pensas-te na tua mãe desesperada à tua procura e então voltas-te a colocar a roupa na gaveta e a mala no armário? Eu falarei sem voz por todos aqueles que já quiseram fugir do mundo, que a única coisa que realmente queremos e ser encontrados, é sentir-mos que a nossa falta é sentida, é chegarmos e sentirmos o abraço molhado e as palavras roucas que nos são sussurram ao ouvido: nunca mais o faças, pelo menos não sem mim.
         Eu só queria fugir. Não me atirem à cara que estou a fugir dos problemas, porque eles não me vão deixar ir sozinha; não me digam que não vale a pena, porque não sabem o quão horrível é não sabermos se vamos realmente ser sentidos; mas também não me digam que vou ficar melhor, porque muito provavelmente não vou quando vir que é o carro da minha mãe que me encontra e não o teu...
         Sim, não é o melhor remédio, nem sequer chega a ser remédio. Sim, não sei se resultará, ou tão pouco se o conseguirei fazer... Mas, no meio de tantos 'mas', de tantos 'e se?' e de tantos 'porquês' fugir colocaria a minha cabeça no sitio. Porque quando me perguntam o que vou fazer eu nunca respondo com total sinceridade, porque no momento em que eu disser que desaparecer é o meu maior desejo tu não me vais entender e vais gritar comigo e 'chamar-me à terra' pensando que me estás ajudar a não cometer uma loucura; ou então vais-te simplesmente afastar, porque ninguém quer alguém que goste de fugir.
         Porque até ao momento em que alguém seja capaz de entender que o gosto da fuga não é só estarmos sozinhos mas sim sermos encontrados, eu nunca poderei ligar-te ás tantas da madrugada a perguntar se foges comigo.

sábado, 17 de agosto de 2013

Doze

          Podes ir embora, vai deixa o barco nas minhas mãos. Deixa-o a afundar-se e deixa-me a mim sozinha, sem forças para o segurar e a cair todos os dias mais um bocadinho apenas para o conseguir manter mais uns segundos à tona da água. Vai embora sem olhar para trás, vai sem sequer te lembrares de todos os bons momentos, de todos os carinhos e de todos os segredos. Vai e deixa-me aqui, só não me peças que vá embora também, porque enquanto o barco não cair por completo as minhas forças não cessaram completamente também. Porque por mais que diga que já não consigo, eu consigo sempre. 
          Um dia sussurraram-me ao ouvido que quando o amor é muito tudo ultrapassa, e ainda acrescentaram que o passado quando é importante mexe sempre com o futuro. Por isso não me digas para ir sem olhar para trás, tal como tu estás a fazer, porque eu estou pronta para juntar todas as pontas soltas e ainda aperfeiçoá-las com um belo laço. Não me perguntes porque nem tão pouco me peças para desaparecer, deixa a vontade aparecer, deixa a tua cabeça pensar em mim e vais ver o quanto tu também queres que eu não vá embora.