Quantas vezes pensas-te em fugir? Quantas vezes agarras-te numa mala e começas-te a colocar roupa à toa? Quantas vezes com a chave de casa na mão pensas-te na tua mãe desesperada à tua procura e então voltas-te a colocar a roupa na gaveta e a mala no armário? Eu falarei sem voz por todos aqueles que já quiseram fugir do mundo, que a única coisa que realmente queremos e ser encontrados, é sentir-mos que a nossa falta é sentida, é chegarmos e sentirmos o abraço molhado e as palavras roucas que nos são sussurram ao ouvido: nunca mais o faças, pelo menos não sem mim.Eu só queria fugir. Não me atirem à cara que estou a fugir dos problemas, porque eles não me vão deixar ir sozinha; não me digam que não vale a pena, porque não sabem o quão horrível é não sabermos se vamos realmente ser sentidos; mas também não me digam que vou ficar melhor, porque muito provavelmente não vou quando vir que é o carro da minha mãe que me encontra e não o teu...
Sim, não é o melhor remédio, nem sequer chega a ser remédio. Sim, não sei se resultará, ou tão pouco se o conseguirei fazer... Mas, no meio de tantos 'mas', de tantos 'e se?' e de tantos 'porquês' fugir colocaria a minha cabeça no sitio. Porque quando me perguntam o que vou fazer eu nunca respondo com total sinceridade, porque no momento em que eu disser que desaparecer é o meu maior desejo tu não me vais entender e vais gritar comigo e 'chamar-me à terra' pensando que me estás ajudar a não cometer uma loucura; ou então vais-te simplesmente afastar, porque ninguém quer alguém que goste de fugir.
Porque até ao momento em que alguém seja capaz de entender que o gosto da fuga não é só estarmos sozinhos mas sim sermos encontrados, eu nunca poderei ligar-te ás tantas da madrugada a perguntar se foges comigo.
