sábado, 17 de agosto de 2013

Doze

          Podes ir embora, vai deixa o barco nas minhas mãos. Deixa-o a afundar-se e deixa-me a mim sozinha, sem forças para o segurar e a cair todos os dias mais um bocadinho apenas para o conseguir manter mais uns segundos à tona da água. Vai embora sem olhar para trás, vai sem sequer te lembrares de todos os bons momentos, de todos os carinhos e de todos os segredos. Vai e deixa-me aqui, só não me peças que vá embora também, porque enquanto o barco não cair por completo as minhas forças não cessaram completamente também. Porque por mais que diga que já não consigo, eu consigo sempre. 
          Um dia sussurraram-me ao ouvido que quando o amor é muito tudo ultrapassa, e ainda acrescentaram que o passado quando é importante mexe sempre com o futuro. Por isso não me digas para ir sem olhar para trás, tal como tu estás a fazer, porque eu estou pronta para juntar todas as pontas soltas e ainda aperfeiçoá-las com um belo laço. Não me perguntes porque nem tão pouco me peças para desaparecer, deixa a vontade aparecer, deixa a tua cabeça pensar em mim e vais ver o quanto tu também queres que eu não vá embora. 

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